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No meio do barulho do mundo, busque o silêncio que cura

Saúde Mental e Bem-Estar, Por Andréa Ladislau, Psicanalista

Em 05/05/2026 às 15:31:20

Quem disse que não existe força no chamado “recolhimento consciente”? Sim, silenciar também é saúde e não é sinônimo de ausência. O barulho do mundo confunde a mente e gera angústia, dor, dúvida e afastamento de si mesmo. Ao buscar o silêncio no momento adequado e de forma emocionalmente estruturada, é possível obter ganhos significativos para quem está na jornada do autoconhecimento e do equilíbrio entre mente e corpo.

Vivemos uma era de hiperexposição, marcada pelo excesso, pelos julgamentos e por estímulos intensos e constantes. Uma época que interpreta a necessidade de silêncio como fraqueza, isolamento ou até mesmo como algum tipo de transtorno mental. Mas e se eu te disser que o silêncio pode não ser uma fraqueza, mas sim uma forma de proteção? Quando surge a necessidade de nos silenciarmos em determinados momentos, é importante considerar situações cotidianas que nos levam ao extremo, como o cansaço de ter que responder a tudo, o esgotamento de dar conta de tudo, a fadiga de estar disponível o tempo inteiro e, não menos importante, a tendência humana de absorver as emoções alheias.

Na contramão do silêncio que cura, encontramos a repressão emocional, o hábito de engolir sentimentos e emoções que limitam nossa capacidade de expressão, além da falsa sensação de “paz” promovida pelo isolamento social constante.

O principal pensamento que deve prevalecer para fortalecer a importância do silêncio como um instrumento potente de acolhimento e cura é encarar esses momentos como uma estratégia de preservação, e não de abandono.

O silenciar consciente exige uma entrega pessoal que começa com uma escolha intencional de pausar e desacelerar. Envolve compreender a força de voltar o olhar para si e para o próprio interior, criar um ambiente interno e externo de regulação emocional e reorganizar a mente para promover um verdadeiro descanso cognitivo. Engana-se, porém, quem pensa que o silêncio desconecta. Pelo contrário, ele pode trazer benefícios práticos a curto, médio e longo prazo, como melhora da clareza mental, redução da ansiedade, fortalecimento da autonomia emocional, aumento da percepção de si e desenvolvimento de respostas mais conscientes e menos reativas.

Portanto, praticar o “recolhimento consciente”, sem a necessidade de isolamento total, mas por meio de pequenos momentos de silêncio, reforça conceitos importantes da saúde mental. Mostra que “quem não se escuta reage, e quem se escuta escolhe”. Essa mudança de hábito contribui para o fortalecimento de pausas ao longo do dia, ajudando o indivíduo a se educar emocionalmente e a adotar uma rotina com menor exposição ao digital. Além disso, favorece o desenvolvimento de uma respiração mais calma e desacelerada, fortalecendo o autocuidado e qualificando os encontros interpessoais, sem gerar ansiedade, descontrole emocional ou a necessidade constante de dar conta de tudo.


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